Truques genéticos levam células cancerosas a autodestruírem-se

Truques genéticos levam células cancerosas a autodestruírem-se

1 de Outubro de 2014 0 Por Tiago

A crescente procura pela cura da devastadora doença do cancro, tem aguçado o engenho e competição entre cientistas, em laboratórios de pesquisa biomédica.

Uma das mais recentes e poderosas abordagens, no desenvolvimento de uma cura, envolve a descoberta de truques genéticos inteligentes que obriguem a células cancerígenas a autodestruírem-se.

Esta promissora abordagem foi revelada este mês, por um grupo de investigadores escoceses, israelitas e americanos. Segundo estes, a nova descoberta baseia-se na investigação de pistas da base genética do cancro, sobre a combinação de genes. Esta combinação poderá destruir as células tumorais, deixando as células saudáveis intactas.

Este conceito faz uso de genes conhecidos como “Sinteticamente Letais” (SL), que em oncologia foi explorado pela primeira vez há cerca de 10 anos, como uma nova e promissora forma de tratamento e eventual cura para o cancro.

Eytan Ruppin, coautor desta descoberta e diretor do Centro de Bioinformática e Biologia Computacional da Universidade Maryland, afirma que as células cancerosas são como as células comuns, mas enfurecidas.

Tal como as células normais, estas têm cerca de 10.000 genes. Contudo, nas células cancerosas muitos destes genes estão inativos. Isto que significa que, por qualquer motivo, esses genes não produzem as proteínas que deveriam produzir, como se fossem células normais.

Com base em observação que remontam a 1920, sabe-se que todas as células dispõem de interruptores secretos de autodestruição. Assim que um par chave de genes se torna inativa, toda a célula inicia um processo de encerramento e consequentemente morte.

Segundo o Dr. Ruppin é necessário descobrir e catalogar o maior número possível destes pares de combinações secretas de genes SL. Desta forma, quando um paciente efetua uma biópsia, e o seu genoma é descodificado, um oncologista poderá observar quais os genes, das células cancerosas do paciente, que se encontram inativas.

Por exemplo: digamos que o oncologista descobre, num banco de dados SL, que um gene inativo no tumor de um paciente (chamemos-lhe Gene A) passa a ter um gene parceiro sinteticamente letal correspondente (chamemos-lhe Gene B).

Neste caso, a introdução de uma droga que inativa o Gene B, irá desencadear o processo de morte celular no tumor, mas não nas células saudáveis.

No entanto, dependendo do comportamento do Gene B, poderá existir efeitos colaterais ao desliga-lo. Mas enquanto o Gene A permanecer ativo, no resto do corpo da pessoa, esses efeitos colaterais não deverão incluir a morte celular.

A investigação de Ruppin e restantes investigadores da sua equipe visa utilizar uma inteligente técnica de mineração de dados, para encontrar combinações de genes SL em mais de mil candidatos.

Estes dados são sondados no The Cancer Genome Atlas (TCGA) do Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos, que contém milhares de genomas de diferentes amostras de tumores, coletados através de biópsia.

Os cientistas efetuaram várias pesquisas em busca de genes inativos. De acordo com Ruppin, seria de “esperar estes sejam inativos, juntos a uma determinada taxa, dadas as suas frequências inativas individuais.”

Mas quando se olha para os dados, descobre-se que eles nunca estão inativos juntos”, Ruppin acrescenta ainda que isto “é um forte indício de que eles são sinteticamente letais. Porque sempre que se encontraram inativos juntos, estes eram realmente eliminados da população. Porque estas células morreram.