Sondas GRAIL da NASA vão procurar vestígios de uma segunda Lua

Sondas GRAIL da NASA vão procurar vestígios de uma segunda Lua

2 de Janeiro de 2012 3 Por Tiago

As sondas gémeas GRAIL-A e GRAIL-B da NASA entraram (finalmente) na órbita da Lua, para estudar o seu campo gravitacional.

Lançadas em Setembro, estas entraram à vez nas orbita da Lua, com um dia e uns minutos de diferença. A sonda GRAIL-A chegou no dia 31 de Dezembro, enquanto a sonda GRAIL-B chegou ontem (dia 1 de Janeiro).

Juntas, as “irmãs” GRAIL (Gravity Recovery and Interior Laboratory) estão encarregues de fazer o mapeamento do campo gravitacional da Lua.

A entrada das duas sondas em orbita foi a parte mais complicada, durou cerca de 40 minutos e foi acompanhada, cá na Terra, através das antenas no deserto da Califórnia, nos EUA e em Madrid, Espanha.

Nesta fase, a viagem de polo a polo é estabelecida dentro de um período orbital de 11h30, mas até Março, as sondas terão reduzido este período orbital para apenas 2h, ajustando o seu voa para 55km de altitude da superfície lunar. Nesta altura, os dois satélites poderão finalmente dar início ao trabalho de mapeamento.

Outro dos objetivos das sondas GRAIL (é a sigla em inglês para Laboratório de Recuperação de Gravidade e Interior) é tentar descobrir e explicar o que há muito se tem especulado, relativamente à forma irregular da Lua.

Segundo uma teoria formulada em 2011, a Terra já foi orbitada por dois satélites naturais (duas luas) que partilhavam a mesma orbita e velocidade. Eventualmente, as duas luas colidiram, unindo-se num único e particular satélite, a nossa Lua.

Este planalto lunar (ou irregularidade) encontra-se localizado no lado permanentemente escondido da Lua, o que impossibilita a observação a partir da Terra.

Segundo Maria Zuber, cientista planetária do MIT, “Uma previsão deste modelo, é que todo o exterior da Lua já foi fundido e começou a arrefecer (na verdade arrefeceu de fora para dentro), ficando com um canal fundido na base da crosta da Lua”.

As simulações mostram que, quando o segundo satélite atingiu a nossa Lua, o material fundido foi empurrado para o lado mais próximo, deixando vestígios que ainda hoje deve permanecer.

Nós estamos á procura de camadas na crosta inferior“, disse Zuber, que lidera a investigação na missão GRAIL da NASA.

Quando iniciarem o trabalho de monitorização, a velocidade orbital dos satélites GRAIL será afetada pelos turbilhões gravitacionais, causados por determinadas características lunares, tais como: montanhas, crateras e massas abaixo da superfície.

Assim que a primeira sonda passar por estas características, a sua distância relativamente à segunda sonda, será afetada. Os instrumentos a bordo irão acompanhar e guardar essas mudanças numa base de dados, que será convertida no mapa do campo gravitacional da Lua.

Crédito de Imagem: NASA