Rato recebe o primeiro rim funcional, do mundo, criado em laboratório

Rato recebe o primeiro rim funcional, do mundo, criado em laboratório

16 de Abril de 2013 1 Por Tiago

Rins

A ciência não para de evoluir e de nos espantar, todos os dias. Pela primeira vez, um rim, cultivado em laboratório, foi transplantado no corpo de um rato vivo, e começou a funcionar normalmente.

Este feito foi conseguido por um grupo de cientistas do Hospital Geral de Massachusetts (MGH) em Boston, liderado por Harald Ott. Os cientistas foram capazes de cultivar e transplantar, o mais complexo órgão, criado em laboratório, de sempre.

Para esta experiência, Harald e a sua equipa usou rins de outros ratos, lavou todas as suas células nativas, deixando-os apenas em esqueleto de proteína, desprovidos de células vivas.

De seguida, os cientistas iniciaram o processo de repovoamento dos rins, com células estaminais. Para tal, eles injetaram as células estaminais na rede de túbulos e ductos de cada rim, através de uma espécie de vácuo celular.

Após alguns (poucos) rins terem explodido, Harald Ott e a sua equipa foram capazes de descobrir a quantidade certa de pressão, a usar, para injetar as novas células.

Os rins, recém-formados, foram colocados em provetas, que “simulam as condições de um corpo”, permitindo-lhes crescer. Alguns dias depois, os rins (espantosamente) começaram a funcionar.

Por fim, após todo este complexo processo, o transplante do rim recém-nascido foi a etapa mais simples. E até agora, o rim transplantado não mostrou sinais de rejeição.

Um dos principais problemas inerentes ao transplantes de órgãos, é a sua eventual rejeição. Ao detetar um órgão desconhecido, o nosso corpo tende a rejeita-lo. Contudo, a limpeza e injeção das nossas próprias células estaminais permite, ao nosso corpo, reconhecer o órgão transplantado, evitando complicações.

Desta forma, embora ainda haja a necessidade de existir um doador, este não tem de ser compatível com o paciente. Permitindo que qualquer rim seja potencialmente transplantável, em qualquer paciente. Com este avanço, será finalmente possível reduzir (significativamente) a lista de espera de transplantes renais.

Assim sendo, os rins poderão ser cultivados, numa questão de dias, em laboratório e o paciente não necessitará de tomar medicação (imunossupressão) para reduzir as hipóteses de rejeição.

Fique como o próximo vídeo e veja como Harald Ott e a sua equipa, criou um rim funcional e transplantável.

Mas graças aos mais recentes avanços tecnológicos, na área da impressão 3D, dentro em breve não será, sequer, necessário um doador de rins. Veja ainda, como se faz (imprime) um rim artificial.

Fonte: Nature
Créditos de imagem: Creations/Shutterstock