Primeiro transplante de cabeça já tem voluntário e é russo

Primeiro transplante de cabeça já tem voluntário e é russo

2 de Setembro de 2016 0 Por Tiago

Homem russo oferecesse como voluntário da para o primeiro transplante de cabeça, em seres humanos. Valery Spiridonov, de 31 anos, dirige uma pequena empresa de software em Vladimir, na Rússia e sofre de síndrome de Werding-hoffmann.

Esta doença genética, geralmente fatal, caracteriza-se pela atrofia muscular e por matar neurónios motores (células nervosas do cérebro e medula espinal que permitem o movimento do nosso corpo).

Valery Spiridonov

Para Spiridonov, o transplante de cabeças é a sua única esperança. Segundo ele, em entrevista à revista The Atlantic:

“Remover todas as partes doentes, mas a cabeça faria um grande trabalho no meu caso. Eu não consigo ver nenhuma outra forma de me tratar.”

A ideia de realizar este transplante partiu do neurocirurgião italiano Dr. Sergio Canavero, que alegadamente se compara a Dr. Frankenstein, menciona o médico nazi Josef Mengele (Anjo da Morte) e escreveu dezenas de trabalhos científicos e até um guia de como seduzir uma mulher.

Dr. Canavero deseja realizar este transplante desde 2013, e em 2015 o médico afirma ter transplantado a cabeça de um macaco. Segundo este, o macaco permaneceu com vida durante 20 horas, após a cirurgia, mas este facto não foi confirmado.

O vídeo de transplante foi facultado a Sam Kean, do The Atlantic, e segundo este, não foi possível confirmar o tempo que o macaco permaneceu vivo após a cirurgia. O macaco “piscou quando alguém cutucou os seus olhos com uma pinça… mas por outro lado ele parecia catatónico

Dr. Xiaoping Ren

O cirurgião chinês Xiaoping Ren foi recentemente recrutado pelo Dr. Canavero, com o qual formou equipa no primeiro transplante de mão bem-sucedido e também o transplante de cabeça do macaco, em 2015. Dr. Ren, outro cirurgião a quem chamam Dr. Frankenstein, e já realizou mais de 1.000 transplantes de cabeça em ratos.

Alegadamente, todo o procedimento terá um custo entre 10 milhões e 100 milhões de dólares (cerca de 9 milhões e 90 milhões de euros). Dr. Canavero pretende candidatar-se a uma bolsa de 100 milhões de dólares da Fundação MacArthur, para financiamento do mesmo. Caso não consiga, pedirá ajuda a um bilionário da tecnologia.

Além de todos estes entraves, para que Spiridonov consiga realmente o transplante de cabeça que tanto deseja, a equipa médica terá de encontrar um homem, com morte cerebral, cuja a família consinta este procedimento.

Caso tudo jogue a favor de Spiridonov e do Dr. Canavero este pretendem arrefecer o corpo e cabeça e de seguida:

Um guindaste feito por encomenda será usado para mudar a cabeça de Spiridonov, pendurada por tiras de velcro, sobre o pescoço do corpo do dador. As duas extremidades da medula espinal seriam, de seguida, fundidas com um produto químico chamado polietileno glicol (ou PEG), que tem sido mostrado como promotor do crescimento de células que formam a medula espinal.

Os músculos e sangue fornecidos pelo corpo do dador seriam, então, juntos com a cabeça de Spiridonov, e ele seria mantido em coma por três a quatro semanas, para impedir o movimento enquanto se cura. Elétrodos implantados iriam ser utilizados para estimular a medula espinhal a reforçar novas ligações nervosas.

Mesmo que o Dr. Canavero tenha testado com sucesso este procedimento, em ratos de laboratório, os cientistas e especialistas em ética, compreensivelmente, recusam os planos do médico.

Os seus métodos pouco ortodoxos não seriam aceites os países da Europa e Estados Unidos da América, tendo em conta que existem leis que os proíbem. Desta forma, o transplante teria de ser realizado em um outro país, como a China por exemplo.

Para Arthur Caplan, do departamento de bioética do NYU Langone Medical Center em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, o procedimento do Dr. Canaveroé tão podre cientificamente como nojento eticamente”.

Nita Farahany, diretora de Bioética e Ciência Política na Universidade de Duke, pergunta-se se alguém pode, legalmente, consentir um transplante de cabeça. Além disso, se Spiridonov morre-se durante o procedimento, Dr. Canavero poderia ser acusado de homicídio.

Muitos cientistas mostram-se contra este procedimento e acusam a equipa médica de promover falsa ciência e esperança, a pacientes que sofrem em condições iguais ou idênticas.

Tudo isto levanta inúmeras questões murais, éticas e até mesmo questões de identidade. Partindo do principio que o transplante é realizado e bem-sucedido, Spiridonov ainda seria ele mesmo, ou a sua identidade teria de mudar para uma combinação entre si e o doador?

Para já, este transplante não é mais do que meras vontades e desejos, tanto para o Dr. Canavero como para Spiridonov. Mas só isso não chega para realizar tal procedimento, várias barreiras legais, éticas e monetárias terão se ser ultrapassadas, já para não falar na busca por um dador compatível e “interessado.”

https://www.youtube.com/watch?v=SGddZ0h2PhA

Fontes: CBS News | Washington Post | The Atlantic