Nobel da Química para investigadores da reparação do ADN

Nobel da Química para investigadores da reparação do ADN

9 de Outubro de 2015 0 Por Catarina

O Prémio Nobel de Química foi, este ano, concedido a Tomas Lindahl, Paul Modrich e Aziz Sancar por seu trabalho na reparação do ADN.

De acordo com a Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo, que concede o prémio, os três pesquisadores

mapearam, a nível molecular, como as células reparam o ADN danificado e salvaguardam a informação genética“.

O ADN não é uma molécula estável, mas decai lentamente ao longo do tempo, sendo assim necessário haver mecanismos de reparo que lutem contra este processo.

Lindahl confirmou um processo de reparação por excisão de bases, em que enzimas específicas reconhecem, cortam e remendam bases na molécula de ADN.

Segundo Keith Caldecott (que estuda o reparo do ADN na Universidade de Sussex, Reino Unido, e fez um trabalho de pós-doutorado com Lindahl):

“Eu não acho que ninguém realmente considerou a ideia de que o ADN requer um envolvimento ativo por um conjunto de processos de limpeza para mantê-lo num estado estável”.

Sancar (da Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill) trabalhou na década de 1980 para explicar como as células usam enzimas para reparar danos ao ADN dos raios ultravioleta ou outras substâncias cancerígenas, através de um sistema chamado de reparo de excisão de nucleotídeos.

Tomas Lindahl, Paul Modrich e Aziz Sancar

E Modrich (que está na Escola de Medicina da Universidade Duke, em Durham, Carolina do Norte) publicou em 1989, uma obra sobre um terceiro mecanismo – ‘Reparo Incompatível’ – que lida com erros produzidos quando o ADN é copiado.

A compreensão de reparo do ADN tem implicações para a saúde humana. Por exemplo, pessoas com falhas no seu sistema de reparação têm um risco aumentado de desenvolver cancro, porque as mutações prejudiciais ao seu ADN podem não ser corrigidas.

As células cancerígenas sobrevivem a danos usando enzimas para consertar o ADN, havendo interesse em terapias que visem as vias de reparação do ADN em células tumorais.

Já em setembro, o Prémio Lasker de prestígio para a investigação médica básica também foi atribuído aos pesquisadores: Evelyn Witkin (da Universidade Rutgers, em New Brunswick, New Jersey) e Stephen Elledge (do Hospital Brigham and Women, em Boston, Massachusetts) por pesquisa de como as células corrigem danos no ADN.

Além do prémio nobel da química, foram atribuídos o Prémio Nobel da Fisiologia e da Medicina a William C. Campbell, Satoshi Omura e Youyou Tu pelo trabalho em terapias contra infeções parasitárias, e o Prémio Nobel da Física a Takaaki Kajita e Arthur McDonald, pelo seu trabalho que provou que os neutrinos têm massa.

Fonte: nature