Afinal os neutrinos não são mais velozes do que a luz

Afinal os neutrinos não são mais velozes do que a luz

10 de Junho de 2012 1 Por Tiago

Segundo os mais recentes testes, relativos à experiencia que sugeria que os neutrinos poderiam viajar mais rápido do que a luz, o CERN vem agora afirmar que um (potencial) erro adulterou os resultados.

O Sr. Einstein poderá (por enquanto) descansar em paz, porque segundo o CERN, um elemento defeituoso do sistema experimental de cronometragem por fibra ótica é a provável causa de erro na experiencia, que dava os neutrinos como as partículas mais rápidas do universo.

Como havia referido anteriormente, um feixe de neutrinos gerados no CERN (com sede em Genebra), foi enviado para o OPERA (laboratório em Gran Sasso) a 730 km de distância.

O resultado revelou-se chocante para os cientistas. Segundo a experiencia, os neutrinos eram 60 nanosegundos mais rápidos do que a luz, pondo em causa a alguns dos mais importantes pilares da física.

Contudo, a equipa do OPERA revelou-se cética e procurou obter mais certezas, ao repetir todo o processo 15.000 vezes de forma a despistar possíveis erros. Mas esses erros nunca foram encontrados, por isso, a equipa optou por deixar a análise dos resultados, para um grupo de cientistas independentes.

Nos últimos meses, vários cientistas têm vindo a realizado inúmeros testes, procurando por todas as formas possíveis, o mais pequeno indício que apontasse para um erro ou lapso do experimento. E segundo os mais recentes resultados, o erro parece ter sido encontrado.

Para encontrar o erro, os cientistas repetiram a mesma experiencia, ao enviar um feixe de neutrinos do CERN para o laboratório subterrâneo de Gran Sasso, mas desta vez foram efetuadas quatro experiencias separadas, Borexino, ICARUS, LVD e OPERA.

Em cada uma destas experiências se verificou o mesmo resultado, a velocidade da luz não foi excedida, comprovando as suspeitas dos cientistas do OPERA, os neutrinos não são mais rápidos que a luz. Esta conclusão, colocando um ponto final naquela que poderia ter sido a mais excitante “reviravolta” científica de todos os tempos.

Sergio Bertolucci, Diretor de Pesquisa do CERN, afirmou na 25ª Conferência Internacional sobre Física e Astrofísica de Neutrinos em Quioto, no Japão:

Embora este resultado não seja tão emocionante quanto alguns teriam gostado … lá no fundo, era o que todos esperávamos.”

Eu tinha ainda uma réstia de esperança que a velocidade da luz (300.000 km/s) não fosse a velocidade limite no Universo. Gosto de imaginar, que um dia seremos capazes de viajar de um sistema solar para outro, num abrir e fechar de olhos.

Fonte: CERN