Mistério dos jatos de buracos negros supermassivos resolvido

Mistério dos jatos de buracos negros supermassivos resolvido

8 de Julho de 2014 0 Por Tiago

Com a ajuda do telescópio ESO Very Large (VLT), localizados no deserto de Atacama, no norte do Chile, uma equipa internacional de astrofísicos foi capaz de resolver um dos mais intrigantes mistérios, por trás da dinâmica dos buracos negros supermassivos.

Esta equipa de investigadores, chegada do Reino Unido, Países Baixos e EUA, tem vindo a estudar, com grande detalhe, o núcleo de uma galáxia próxima. Esta galáxia, chamada IC5063, tem um buraco negro supermassivo central, capaz de ejetar fluxos rápidos de moléculas de hidrogénio para o espaço.

A galáxia IC5063, também conhecida como Seyfert, é um tipo muito ativo de galáxias, com um núcleo brilhante.

Inúmeros núcleos galácticos ativos, com estas características, têm sido observados ao longo do tempo. Tendo em conta que o hidrogénio molecular é fundamental para a formação de estrelas, os astrónomos perceberam que estas ejeções têm impacto na formação de estrelas e, consequentemente, na evolução da própria galáxia.

Partindo do princípio que a maioria das galáxias (supostamente) contem buracos negros supermassivos nos seus núcleos, a atividade desses buracos negros (com massas de dezenas a centenas de milhões de sóis) pode controlar a quantidade de gás fornecido para as regiões de formação de estrelas.

Como é que os buracos negros aceleram este gás de hidrogênio frio, até centenas de milhares de quilómetros por hora?

Este é o mistério que, até então, não havia sido resolvido.

No entanto, com a ajuda das observações do VLT, este grupo de astrónomos, liderado por Clive Tadhunter da Universidade de Sheffield, descobriu que a saída é impulsionada por jatos de eletrões relativísticos, que são ejetados do ambiente dinâmico, do lado de fora horizonte de eventos, do buraco negro.

Sempre que os eletrões, altamente energéticos, explodem através das nuvens de hidrogênio molecular, o gás é transportado para fora da galáxia, alimentando-a com material de formação de estrelas.

De acordo com Tadhunter, colaborador no Instituto Holandês de Radioastronomia e Centro de Astrofísica de Harvard:

“Grande parte do gás ejetado está na forma de hidrogênio molecular, que é frágil no sentido de que pode ser destruído a, relativamente, baixas energias.”

“É extraordinário que o gás molecular pode sobreviver sendo acelerado por jatos de eletrões, que se movem a uma velocidade próxima da luz.”

Esta permitiu ao investigadores descobrirem o que, supostamente, poderá acontecer, assim que a nossa galáxia colidir com a vizinha Andrómeda, daqui a cerca de 5 mil milhões de anos.

A fusão das duas galáxias irá injetar matéria nos buracos negros centrais, dando início a poderosos jatos. Quando isto ocorre, o gás molecular, usado na formação das estrelas, também será ejetado para fora da galáxia, condicionando a formação de novas estrelas.

Este acontecimento poderá inverter o rumo evolutivo da nossa galáxia, Via Láctea.

Fonte: Universidade de Sheffield
Créditos de Imagem: NASA