Individualmente os neurónios têm capacidades computacionais

Individualmente os neurónios têm capacidades computacionais

17 de Agosto de 2010 2 Por Tiago

Até agora, os cientistas acreditavam que o cérebro trabalha eficientemente na análise de diferentes sequências temporais desencadeadas em simultâneo, apenas quando um grande número de neurónios trabalha em conjunto. Mas um estudo realizado poderá por fim a essa teoria.

É comum comparar o cérebro a um computador, mas essa comparação é cada vez menos aceite pela comunidade de neurociêntistas, que até agora acreditavam que os neurónios, tal com os transístores, eram incapazes de efectuar qualquer computação isoladamente. Mas uma experiência mostrou que cada neurónio e até mesmo os dentrinos, individualmente são dotados de capacidades computacionais excepcionalmente poderosas.

Segundo o Dr. Tiago Branco da Universidade College London, em Inglaterra “No dia-a-dia, nós precisamos constantemente de usar informações sobre sequências de eventos a fim de entender o mundo em nosso redor. Por exemplo, na linguagem, uma colecção de diferentes sequências do mesmo conjunto de letras ou sons montados em frases, somente fazem sentido conforme a ordem em que esses sons ou letras são montados.

E neste aspecto até um cérebro humano com 4 a 5 anos é particularmente eficiente no processamento dessas sequências de informações, decifrando na perfeição esse conjunto de palavras e letras. Ao contrário dos mais modernos e actuais computadores, que encontra grandes dificuldades de decifrar essas mesmas sequências.

Branco refere ainda, que “A forma como o cérebro é tão bom a distinguir uma sequência de eventos de outros, é algo que ainda não é bem claro, mas até agora, a crença geral era de que esse trabalho era feito por um grande número de neurónios a trabalhar em conjunto” crença essa que agora poderá vir a ser desacreditada.

Michael Hausser, coordenador deste estudo realizado, afirma que “Esta pesquisa indica que os neurónios individuais são descodificadores de sequências temporais de informações, e que eles podem desempenhar um papel significativo na ordenação e interpretação da enorme quantidade de impulsos recebidos pelo cérebro.”

Na experiencia levada a cabo pelos cientistas, foi aplicado um corante fluorescente num neurónio do córtex visual de um rato, de modo a que os dendritos (prolongamentos dos neurónios especializados na recepção de estímulos nervosos) pudessem ser visualizados. Depois, foram efectuados com precisão micro-disparos a partir de um laser, sobre os dendritos e  deste modo foi possível activar grupos de impulsos de diferentes ordens. A resposta eléctrica do neurónio foi diferente para cada uma das sequências de impulsos. O que permitiu identificar, os padrões disparados pelo laser para dendritos individualmente, assim como para os padrões disparados aleatoriamente pela árvore dendrítica.

Desta forma, foi possível demonstrar que a probabilidade de duas sequências diferentes serem distinguidas por um único neurónio individualmente, é incrivelmente alta.

Fonte: inovacaotecnolgica.com.br