Grupo de investigadores encontra “fonte da juventude molecular”

Grupo de investigadores encontra “fonte da juventude molecular”

11 de Fevereiro de 2013 4 Por Tiago

Desde que temos consciência que o nosso percurso como seres humanos (e animais), é nascer, viver e morrer, que fazemos de tudo para encontrar a “fonte da juventude”. Ou por outras palavras, uma forma de tornar as nossas vidas mais longas e saudáveis que o normal.

Na busca pela imortalidade, investigadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley tentam compreender melhor a biologia do envelhecimento ao nível molecular. Grandes avanços têm sido feitos nesta área, e ao que parece, mais cedo ou mais tarde poderemos conseguir perlongar as nossas vida, por mais uma ou duas décadas (pelo menos).

A degradação relativa ao envelhecimento parece estar relacionada com o stresse oxidativo, combinado com o esgotamento dos telómeros, juntamente com muitos outros fatores conhecidos e também desconhecidos.

Desta forma, o estudo levado a cabo em Berkeley visa conhecer melhor uma classe de proteínas chamadas sirtuínas, que desempenham uma pepel central na regulação do envelhecimento e longevidade em muitos modelos animais, como os ratos (por exemplo), mas também em seres humanos.

A pesquisa mostra que seres humanos com mais de 90 anos, dispõem de apenas uma das duas variantes da proteína sirtuínas. Variante esta que se distingue pelas suas propriedades antioxidantes, que levam ao aumento da produção de SIRT3.

As diferenças entre estas duas variantes devem-se a uma alteração de um gene, por mutação, que parece ser suficiente para afetar (significativamente) a longevidade do organismo. Sugerindo, uma forte ligação entre a proteína SIRT3 e a longevidade.

Mas o objetivo do estudo não se fica por aqui. Os investigadores necessitavam de saber se a SIRT3 era capaz de rejuvenescer células estaminais extraídas de ratos idosos.

Desta feita, começaram por observar o que acontece durante o envelhecimento dos ratos que não possuem o gene SIRT3.

Enquanto jovens, estes ratos têm o mesmo curso de envelhecimento que os restantes grupos de ratos normais, em controlo. Contudo, quando atingiram dois anos de idade (média de vida de uma rato de laboratório), as análises revelaram que estes possuíam muito menos células estaminais, do que o grupo de controlo.

Isto deve-se aos baixos níveis de stresse oxidativo (a formação de espécies reativas de oxigênio durante o metabolismo) das células estaminais jovens. Estes níveis são suficientemente baixos, permitindo que os antioxidantes normais do corpo possam acompanhar os danos resultantes do envelhecimento.

Há medida que vão envelhecendo, estas espécies reativas de oxigénio necessitam de um “impulso” de SIRT3 para as ajudar a rejuvenescer as células. Quando não existe SIRT3, o progresso do envelhecimento ocorre mais cedo e mais rapidamente.

Segundo Danica Chen, investigadoras principal deste estudo e professora assistente de Ciência Nutricional na UC Berkeley:

Quando ficamos mais velhos, o nosso sistema não funciona tão bem. Nós geramos mais stresse oxidativo e não o conseguimos remover. Então, os níveis aumentam.

Sob esta condição, o nosso sistema antioxidativo normal não pode tomar conta de nós, deste modo, necessitamos de SIRT3 para impulsionar o sistema antioxidante. No entanto, os níveis de SIRT3 também caem com a idade, por isso, como o decorrer do tempo o sistema entrará em sobrecarregado.

De acordo com o estudo (realizado em ratos), a degeneração aparenta estar relacionada com a idade, e acelera devido à ausência de SIRT3. Por tanto, a equipa de investigadores de Berkeley decidiu aumentar os níveis de SIRT3, de modo a verificar se este seria capaz de reabilitar as células estaminais do sangue.

O procedimento foi feito através da infusão de células estaminais do sangue, com a proteína SIRT3. Os resultados foram espantosos, de facto, com a ajuda da proteína, foi restaurada a capacidade de produzir novas células.

O próximo passo será testar se o rejuvenescimento induzido da SIRT3 poderá ser aplicado em qualquer organismo, mesmo depois de este ter experienciado os desígnios naturais do envelhecimento. Desta forma, poderemos saber se foi descoberta a “cura” para o envelhecimento.

Fonte: Universidade da Califórnia em Berkeley