Cientistas portugueses descobrem que a gordura tem neurónios

Cientistas portugueses descobrem que a gordura tem neurónios

29 de Setembro de 2015 0 Por Catarina

O cérebro é responsável por instruir as nossas reservas de gordura para quebrar e liberar a energia de acordo com a necessidade do corpo, contudo os cientistas ainda não foram capazes de determinar exactamente como este processo se desenrola. 

Uma equipa de investigação liderada por Ana Domingos do Instituto Gulbenkian de Ciência (Portugal), conseguiu provar que os tecidos gordos do organismo têm neurónios. Este desenvolvimento poderá levar a novos tipos de tratamentos e prevenção da obesidade.

A leptina, uma hormona produzida pelas nossas células de gordura, viaja para o cérebro para regular o apetite, o metabolismo e a energia, mas não se sabe como se processa a comunicação de forma inversa.

Uma pesquisa recente descobriu este elo perdido pela primeira vez, revelando um conjunto de nervos que se conectam com o tecido adiposo para estimular o processo.

Neurónios adipócitos

 

A hormona leptina foi identificada, há 20 anos, como um regulador do metabolismo do corpo. Quando os seus níveis estão baixos há um aumento do apetite e metabolismo, inversamente, os altos níveis de leptina diminuem o apetite e facilitam a quebra de gordura.

“Nós dissecámos estas fibras nervosas do tecido gordo de ratinhos e usando marcadores moleculares identificámos um tipo de neurónios, os neurónios simpáticos”,

explica Ana Domingos. E ainda

“quando utilizámos uma técnica de imagem ultra sensível no tecido adiposo vivo de um ratinho, observámos que as células de gordura são encapsuladas por estes terminais nervosos simpáticos”.

Através de uma técnica chamada Optogenética, foi possível estimular os neurónios simpáticos nas bolsas de gordura de ratos para analisar a degradação da gordura e a perda da massa gorda.

Desta forma,

“este resultado dá-nos novas pistas para o tratamento de resistência à leptina no sistema nervoso central, uma condição em que o cérebro de pessoas obesas não consegue responder à leptina”

diz Ana Domingues.

Fonte: Instituto Gulbenkian de Ciência